BR 116, n.º 1530 Atuba, Colombo, PR
41 3675.6469 / 9700.6336
Outros estados 0800.704.6469
atendimento@lonasalvorada.com.br
Vendas: vendas@lonasalvorada.com.br

A caminho da leveza

Novos materiais, como vidro, alumínio e policarbonato, têm tomado lugar do tradicional concreto na construção de marquises de edifícios. Além da leveza e beleza estética, a estrutura também tem ganho em segurança

O Shopping Estação recebeu marquise de vidro em formato curvo. O projeto é do arquiteto Waldeny Fiuza |

Mais leves e visualmente mais bonitas, as marquises têm ocupado lugar de destaque em muitas construções recentes. Novas tecnologias de construção permitem não só atingir formas inusitadas – como marquises em curvas – mas também utilizar diferentes tipos de materiais, como vidro, alumínio ou policarbonato (material transparente que se assemelha ao acrílico). Tudo isso sem perder em funcionalidade ou segurança.

Um dos adeptos desses novos materiais é o arquiteto Waldeny Fiuza, da Dória Lopes Fiuza Arquitetura. Em seus projetos, o profissional já trabalhou com marquises de vidro e alumínio e também com as tradicionais de concreto. Todas elas cumprindo com rigor a sua função principal. “Uma marquise tem de proteger as portas e janelas contra as intempéries climáticas. Os novos materiais também são capazes de fazer isso”, conta.

Fiuza explica que as novas tecnologias são empregadas, via de regra, em obras comerciais. A explicação é o custo elevado, que torna sua aplicação mais difícil em edifícios residenciais. Em linhas gerais, as marquises modernas utilizam estruturas metálicas de sustentação, que podem ser barras de aço ou alumínio. Elas seguram os materiais da cobertura (vidro, alumínio, policarbonato). Como vantagens, o arquiteto destaca que esse elementos são mais fáceis de se trabalhar. “Eles são mais leves e permitem que se alcance formas inusitadas, mais curvas e bonitas”, avalia.

Exemplo dessa praticidade é o trabalho realizado pelo arquiteto no Shopping Estação, no centro da cidade. O ambiente recebeu marquises e coberturas de vidro – que são suportadas por estruturas metálicas – em linhas curvas. A área total ocupada pelo vidro é de 11 mil metros quadrados. “O material tem uma transparência e ao mesmo tempo vigor, já que é um vidro bem reforçado (laminado)”, diz Fiuza.

Outro arquiteto que aposta na tendência é Luiz Bacoccini. “Esses novos recursos dão um aspecto mais leve para a marquise, o que reflete na beleza de toda a fachada. No caso dos materiais transparentes, cumprem uma função importante, que é a boa iluminação dos imóveis do térreo do edifício”. Em um de seus trabalhos mais recentes, o New Concept – prédio construído pela Thá no centro de Curitiba –, o profissional usou marquises de vidro e policarbonato. “Como o projeto tinha amplas paredes de vidro, optei pela colocação desses materiais para compor a fachada”, conta.

Além da beleza, os materiais leves podem representar também mais segurança para moradores e pedestres. É o que explica o engenheiro civil Jorge Castro, do Conselho de Segurança em Edificações e Imóveis (Cosedi) – da Prefeitura de Curitiba. “As fachadas com marquises mais modernas, feitas de vidro ou alumínio, não têm problemas de descolamento de reboco ou revestimento, como eventualmente ocorre com o concreto”, avalia.

Tecnologia tradicional

As estruturas feitas de concreto não devem ser encaradas, porém, como inseguras. Quem defende é o arquiteto Maurício Machuca. Ele esclarece que mesmo sendo mais pesado, o material é excelente para a composição desse tipo de estrutura. Mas desde que bem projetado e vistoriado com freqüência. “É preciso ter um bom projetista que calcule o peso que a marquise pode suportar e o coeficiente de movimentação (ela deve ser capaz de se movimentar sem quebrar) e um profissional que vistorie freqüentemente o espaço”, diz.

A resistência do material pode ser conferida no projeto do edifício Palácio Versalles, no bairro Mercês, elaborado por Machuca e construído pela Giacomazzi. O prédio tem a marquise integrada às sacadas dos apartamentos do primeiro andar. Para suportar o peso da própria estrutura somado ao das pessoas que circularão pela sacada, o arquiteto afirma que caprichou no reforço da estrutura, que tem mais aço na sua base de sustentação.

Segurança depende de manutenção constante

Acidentes recentes envolvendo o desabamento de marquises no Paraná acirraram, nos últimos anos, a discussão sobre a segurança dessas estruturas. No mês passado, a marquise de um edifício em Maringá desabou, levando à queda em série das sacadas de 15 apartamentos. Há dois anos, foi a marquise de uma universidade em Londrina que cedeu, matando duas pessoas. Estruturas consideradas frágeis em uma construção, elas precisam de vistoria e manutenção constantes. A falta desses cuidados representam risco a quem transita próximo ao prédio.

Em Curitiba, a situação das marquises é considerada satisfatória. É o que define Jorge Castro, engenhero civil do Conselho de Segurança em Edificações e Imóveis (Cosedi). O órgão, que é vinculado à Prefeitura, é responsável pela fiscalização das construções na cidade. Em suas vistorias, Castro afirma que só tem encontrado problemas em estágio inicial, ainda fáceis de serem resolvidos. “Os edifícios mais antigos são os que apresentam mais problemas.”

O vistoriador ressalta que as falhas mais encontradas são resultado da falta de impermeabilização. “As pessoas não sabem que isso deve ser feito regularmente. A umidade pode penetrar nas estruturas danificando a sua sustentação interna, levando à queda”, diz. Em segundo lugar, diz Castro, estão os problemas de fissuras e trincas. “Com a variação climática, a marquise encurta ou estica. Se não foi bem calculada para isso, pode trincar ou rachar”, alerta.

O arquiteto Maurício Machuca aponta que se deve tomar cuidado com o peso colocado sobre a marquise. “Na hora da construção, o calculista faz uma conta de quanto a marquise pode suportar. Não se deve colocar nada que exceda esse peso, como floreiras por exemplo”, indica o profissional.

Para evitar problemas que comprometam a segurança, o engenheiro do Cosedi comenta que não se pode abrir mão da manutenção constante. A primeira vistoria deve ser feita após o edifício completar cinco anos de construção ou assim que aparecer algum problema. “Deve-se chamar um profissional (engenheiro civil ou arquiteto) para fazer avaliação do estado da estrutura”. Castro lembra que é esse profissional que irá estabelecer com que freqüência deverão ser feitas as próximas vistorias.

Legislação

De acordo com Lei Municipal, a responsabilidade pela conservação e segurança das marquises é dos proprietários e administradores dos edifícios. A lei especifica que não é permitida a sua construção com materiais combustíveis ou de fácil estilhaçamento e que a estrutura não pode ultrapassar a largura do passeio.

Ao encontrar irregularidades, o Cosedi notifica o responsável pela conservação da marquise. Não havendo a correção do defeito, o órgão multa o edifício. Também é prática do Cosedi interditar a área próxima a estrutura até a sua regularização. Denúncias de marquises mal conservadas ou construídas desobedecendo a legislação podem ser encaminhadas ao órgão pelo telefone de atendimento da Prefeitura. O número é 156.

Fonte: Gazeta do Povo

Comentários estão fechados.